
BOPE OU BOPETRAN?
A minha primeira matéria na área policial, o registro da primeira grande operação
foi com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Eu participava da primeira prisão do famoso “Aranha” e mais 11 comparsas no bairro do Clima Bom, em Maceió. Foi fantástico acompanhar tudo do começo ao fim e perceber o entusiasmo dos militares com o êxito obtido. Os homens de preto conseguiam, à época, parar a sociedade e serem vistos como os que resolviam as situações mais complicadas.
Conheço de perto muitos deles. Sei que são tão encantados com a profissão que arriscam as vidas mesmo quando estão de folga. Parecem loucos, usam os próprios veículos em busca de novidades. Sabe, era muito bom acompanhar as viaturas com suas caveiras plotadas, os policiais com balas clavas, decidindo tudo. O Bope era, naquele tempo, a nossa Tropa de Elite. E se sentia assim.
Havia incentivo à tropa, todos arregaçavam as mangas com o maior prazer. Quando o Bope passava nas ruas a população vibrava, sabia que em poucos instantes ouviria alguma boa notícia. Mas, parece que a Tropa de Elite alagoana caiu no esquecimento dos comandantes e perdeu a referência. Não quero aqui dizer que deixou de ser competente e decidir. Vontade não falta, mas falta motivação.
O Bope foi transformado praticamente em um batalhão de área. Está exposto aos quatro cantos, fazendo blitz, parado nas esquinas, fazendo rondas normais. Os rostos estão mais conhecidos do que nunca. Virou agora o BOPETRAN? Que horrível. Pelo amor de Deus, comandantes, não lhes dêem apitos. Não há mais para nós, civis, o conceito de batalhão especializado porque o tornaram tão comum quanto os outros. Ressalto, não menosprezando as outras unidades, mas, referindo-me a um de operações especiais que agora é passou a ser de operações corriqueiras.
Cortaram as pernas dos meninos que investigavam, não há suporte para tal. E agora o Bope faz escoltas, fica na porta de eventos e agradece quando o Gecoc ou a 17ª Vara lhe enviam mandados de busca e apreensão. Ah, havia esquecido. Vão tomar conta dos colegas de farda no sistema prisional.
Infelizmente, amigos, tenho de expor minha opinião e espero que não se sintam ofendidos: vocês foram transformados em GUARDAS.
Uma pena! Fico por aqui na esperança de que nos deparemos outras vezes e vocês estejam sentindo a mesma alegria de antigamente. 
Esse era o BOPE!








A situação é exatamente essa, agora imagine vc a situação dos pelotões de operações especiais, no interior, cujo equipamento é todo 'refugo' do BOPE.
ResponderExcluirAs atribuições por aqui não passam de uma variação do policiamento de rondas... e a especialização está esquecida, exceto aqueles casos em que os policiais resolvem fazer atividades por conta propria... (musculação, artes marciais, treinamento de tiro)