Blog da Dulce Melo

Este é um espaço onde Dulce Melo aborda todas as suas críticas ao que enxerga de errado no sistema.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Quem disse que o grito de paz intimida a violência? Protesto na Orla, assassinato na periferia por causa de torcida organizada

O protesto na Ponta Verde na noite de ontem tinha o objetivo de ecoar por toda a cidade. Centenas de pessoas vestiram branco e queriam que seus gritos de revolta chegassem aos criminosos e eles se calassem. Mas, aconteceu exatamente o contrário: foram os bandidos que calaram a PAZ.

Exatamente às 20h33 minutos desta terça-feira (29) estava em uma assembleia no CCBI, acoplado ao Instituto Mèdico Legal (IML) – por ironia - quando uma perita de sobreaviso recebeu um chamado para um homicídio no bairro do Mutange. Para que não passasse em branco mais uma ação criminosa, dei um telefonema para o amigo Douglas Lpoes, da Gazetaweb, passando-lhe a informação.

Do lado de lá escutei a seguinte frase: amiga, a concentração toda está no protesto pela paz. Infelizmente , não temos como registrar.

Naquele momento nem eu me dei conta de que poderia ser feita uma relação e fazer com que chegasse aos manifestantes, justamente na hora da euforia, da angústia, onde todos externavam o repúdio ao nosso índice de criminalidade, o acréscimo da triste contabilização.

Enfatize-se que o crime teria sido cometido por motivo fútil. O jovem foi executado porque vestia a camisa da torcida organizada Mancha Azul, do Centro Sportivo Alagoano (CSA) e pelos inimigos da Comando Vermelho (CV), torcida organizada do Clube de Regatas Brasil?
Sempre é bom relembrar casos semelhantes. E por que até agora não foi resolvida esse problema grave?

À véspera do primeiro clássico de 2011, um torcedor do Clube de Regatas Brasil - identificado como Adriano -, foi executado dentro do veículo Pálio, de cor prata e placa MUW-4178/AL após enfrentamento com a torcida Mancha Azul, do Centro Sportivo Alagoano e integrantes da Inferno Coral, do Santa Cruz, do Recife.

O crime teria sido cometido por ocupantes de um Fiat Uno, segundo informações repassadas por populares. Após a execução, os criminosos ainda teriam espancado Adriano com barras de ferro e pedaços de madeira. Ele era de Sergipe e estava em Maceió porque era filiado da torcida alvirrubro, do CRB, e tinha a pretensão de assistir o jogo que acontece no Estádio Rei Pelé.


No dia 22 de setembro de 2010, as vítimas foram os garotos Cristiano Assunção Silva, de 14 anos, e Felipe Barbosa, de 15, assassinados quando estavam em um ponto de ônibus, no bairro Santos Dumont, esperando um transporte para levá-los ao estádio Rei Pelé, no Trapiche. Eles pretendiam assistir a partida entre CSA e Santa Cruz (PE). Os garotos teriam sido assassinados por homens que passaram em um carro, simplesmente porque vestiam a camisa do CSA.

Logo depois, dentro do ônibus que fazia a linha Ipioca/Poço, Mikael dos Santos Calheiros foi mais uma vítima. O rapaz se dirigia ao jogo do Centro Sportivo Alagoano, também no Rei Pelé, quando foi surpreendido por supostos integrantes da Comando Vermelho que, sem motivos, segundo testemunhas, atingiram-no com três disparos: um na cabeça, um no abdome e outro no braço e ainda o arrastaram para fora do coletivo e espancado no meio do asfalto. Sobreviveu, mas ficou com sequelas.

Agora vamos para a piada do dia. Os dirigentes das torcidas organizadas disseram que orientam os seus integrantes a manterem a paz dentro e fora dos estádios? Como assim? Será mesmo? Já fiz, por exemplo, mais de uma matéria com a prisão do conhecido João Gordo, presidente da Comando Vermelho. A polícia já encontrou drogas e arma na sede poucas horas antes do jogo. Já encontrou também explosivos colocados em bolas de sinuca para serem arremessados na pista ou no gramado do Rei Pelé.

É isso que chamam de ser alheio à violência? Façam-me o favor. Agora, cabe às autoridades se posicionarem mais rigidamente e bater o martelo. Os crimes acontecem, o vandalismo (quebra de ônibus, invasão a estabelecimentos, ataques a patrimônio público) é corriqueiro e nada de eficiente é feito, somente paliativos.

O Corredor Vera Arruda, onde o médico José Alfredo foi barbaramente assassinado ganhou a presença da Radiopatrulha e para o Mutange, quem foi hoje?

E assim vamos apenas registrando mais fatos. Diga-se de passagem, sou ragatiana. Nessas horas, infelizmente.

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Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO". Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.

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