Blog da Dulce Melo

Este é um espaço onde Dulce Melo aborda todas as suas críticas ao que enxerga de errado no sistema.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Relatório da Força Nacional tem 110 homicídios a menos em outubro. Alguém chame o Freud, por favor

Dá-me Força, senhor, para entender os números da Força. Durante o protesto dos policiais civis contra a Força Nacional, na manhã desta quinta-feira (1º), em frente a Academia da Polícia Militar, uma conversa com o delegado Hugo Shu, da Corregedoria da tropa visitante, que por sinal demonstrou ser educado, centrado, contrariando o conceito criado - com embasamento - para alguns militares da tropa ‘federal’, deixou-me preocupada.


Enquanto um agente da nossa polícia falava sobre as atrocidades denunciadas, lendo, inclusive, o índice de homicídios de julho até outubro o delegado se disse surpreso e ficou tão inquieto ao ponto de perguntar de que forma adquiríamos os dados.


(Foto: Dulce Melo/arquivo)

Na ocasião, um agente da Polícia Civil – que por sinal estava muito indignado com o que ocorrera ao colega de profissão – e aproveitou o ensejo para taxar o Plano Brasil Mais Seguro de “farsa” apontando o quadro alarmante de homicídios que ainda prevalece em nosso Estado, com destaque para Maceió e Grande Maceió, repassei para o mesmo os números divulgados mediante acompanhamento diário da imprensa. O delegado fiou inquieto e assustadíssimo. Em nossas contas relacionadas ao mês de outubro, até o dia 29, havia na lista da criminalidade, a quantidade de 110 mortos a mais que no relatório dos nossos visitantes.


Acontece que até o dia 29 de outubro tínhamos registradas 169 mortes – e olhe que me equivoquei e ainda reduzi nove – e mesmo assim, ele –o delegado – ficou estarrecido. Não mais do que eu quando o corregedor da Força Nacional passou o que havia em seu relatório utópico. Sim, porque lá, nas contas dos policiais de fora só existem 59 homicídios durante os 30 dias. Como assim? Teríamos mesmo a capacidade de aumentar mais 110 ou 115 mortos somente para gerar polêmicas?


Pelos cálculos, até o dia 29 passado 169 pessoas foram assassinadas em Alagoas, enquanto nas minhas contas ainda eram 160. Pois bem, temos então o maior índice de violência registrado após a chegada da Força Nacional em nossa terra. Nesse ritmo a média é de 164 pessoas executadas ao mês. De janeiro até o dia 29 o número de pessoas assassinadas é de 1.646 mortos.



Começamos a conversar e discutir detalhes sobre muitos assuntos, principalmente polícias e perícia criminal, até que o delegado não se conformou e se disse estarrecido com a diferença; Perguntou-me, então, de que forma chegamos a um número tão alto se no relatório que ele tinha em mãos constavam apenas 59 homicídios na capital. “Alguma coisa está errada”, disse ele. O corregedor da Força explicou uma porção de coisas e como são feitos os registros deles, mas não entendi nada até agora.


Ri e respondi em seguida: errada mesmo. E pode acreditar que o erro está do lado de lá. Acompanhamos tudo diariamente e não acharíamos lindo acrescer a quantidade de pessoas vítimas de morte violenta somente para agravar a situação da nossa imagem aqui e lá fora.


Agora, fica complicado também entender como é que pode ter a Força Nacional apenas 59 homicídios anotados durante todo mês de outubro se somente em um fim de semana matam de 17 a 20 pessoas.



Bom, pra entender, somente fazendo muita FORÇA!

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Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO". Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.

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