Corre menino, chega aqui no cantinho, discretamente, que o
tempo é curto. Parece que assim foi tratada, na tarde dessa quinta-feira (08) a
aprovação do empréstimo de US$ 250 milhões de dólares que o governador Teotonio
Vilela Filho tanto queria. Um intervalo, cochichos a parte e o martelo batido
após meia horinha de recesso. Cale a boca oposição. Enxergue-se. Como é que pode
ser desaprovado um desejo do chefe do Executivo se dois terços da bancada
da Casa de Tavares Bastos são seus pupilos?
O detalhe é que fica no ar o destino do recurso, já que o
assunto sequer passou pela comissão de orçamento, deixando de orelhas em pé os
‘quatro’ mosqueteiros: Judson Cabral (PT), Isnaldo Bulhões (PDT), Flávia
Cavalcante e Olavo Calheiros (PMDB) que tentam salvar a humanidade, nesse caso
todos nós. Embora a patota governista afirme veementemente que o dinheiro será
aplicado em recuperação de órgãos públicos estaduais, Quais?
Afinal de contas não ‘já estão’ concluindo a reforma das
escolas para que seja iniciado o ano letivo de 2012? A saúde não está bem com
hospitais totalmente equipados e as universidades estaduais com infraestrutura
de primeiro mundo? Bom, não é a justificativa que enraivece, mas, a
convicção de que nada será feito, porque já estamos acostumados a ver o
governador transformando a sociedade em débil e os seus servidores públicos em
romeiros. Haja penitência.
Pensemos direitinho. Para que foi mesmo essa urgência? Quem
sabe não foi para atender às reivindicações dos servidores da
Educação. Na torcida, Célia Capistrano. Piada de mal gosto.
Esperteza de Vilela? Assim é considerado o ato. O empréstimo
garantido de forma irresponsável, a toque de caixa, quando o estado já
tem uma dívida de mais de R$ 7 bilhões é para inquietar. Podemos perguntar ao
bom velhinho se a sua chegada está na lista dos investimentos, é uma boa opção.
Judson esbravejou, chamou Vilela de imprudente, acho uma
calúnia por sinal, e sei que os senhores concordam, afirmou que as obras
citadas para garantir a quantia irrisória de R$ 500 milhões – trocamos em nossa
moeda – são desnecessárias. Olavo continuou o discurso e lembrou que a dívida
ficará para a próxima gestão porque ficou com carência de 24 meses, e
Isnaldinho taxou a ação como “manobra do governo”, lembrando que se
votassem favoravelmente, estariam aprovando um recurso cujo destino era,
conforme o parlamentar pedetista, desconhecido, de fato. Mas não adiantou nada.
Os coleguinhas da ALE usam ‘ponto’ no ouvido controlado por uma voz
tucana. Sim senhor, sim senhor, sim senhor. Estas são as respostas também
programadas.
E aí parte de lá um dos ‘advogados’ de Vilela, o
deputado Edival Gaia, que como bom moço e ar de psicólogo tenta convencer que
Alagoas precisa de recursos sim, porque a crise está aqui (e eu jurava que não)
e nenhuma oportunidade deve ser desperdiçada.
Senhor governador, tenho aqui sugestões para a aplicação do
dinheiro:
1- Concluir o realinhamento da
Polícia Militar que o senhor parou no reajuste para soldado e não mais falou no
assunto;
2- Deixar um pouco do dinheiro
para garantir o reajuste salarial prometido, de 27%, para os policiais civis;
3- Guardar um pouquinho também
para cumprir o prometido junto aos servidores da Perícia Oficial e da Educação;
4- Comprar alguns equipamentos
para o Hospital Geral do Estado;
E um pedido: por favor, governador, secretários, povo do
judiciário, da Fazenda, já garantiram seus perus, não precisa lembrar deles.
Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO".
Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.








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