Atleta tem que vender carro e camisas para ver se consegue ir à competição
É no mínimo revoltante, ver de perto a ausência das secretarias estadual e municipal de Esporte quando o assunto é investir no atleta alagoano. Os valores são notórios e jovens e adultos se doam ao máximo para elevar os nomes da capital e do Estado lá fora. Mas, não adianta porque apoiar, auxiliar com patrocínios é complicadíssimo.
Casos isolados, bem esporadicamente, ocorrem. Tenho ouvido e visto muitas lamentações pelas ruas e quadras. Dessa vez a mendicância parte do tatame. E não foi por falta de divulgação não. Há matérias em quase todos os portais de notícias, outras foram exibidas na televisão e jornais impressos e também divulgada pelas rádios. Wistefânio Mota é campeão brasileiro, na categoria militar, de Taekwondo e, em agosto desse ano, na Irlanda, irá ou não representar o Brasil. Sim, o talvez é porque depende ainda da compra das passagens e do pagamento da taxa de inscrição.
RIDÍCULA a omissão dos órgãos competentes que parecem selecionar a dedos quem querem ajudar. No dia 19 de abril as primeiras matérias eram veiculadas. Hoje é o penúltimo dia de maio e já faz mais de um mê. Ninguém, mas ninguém mesmo, nem o senhor Jorge VI, secretário estadual de Esporte, tampouco o jovem secretário municipal Pedro Vilela, que é primo do governador, tiveram a capacidade sequer de procurá-lo para oferecer o mínimo. Pior, o atleta, senhores secretários, é servidor público, policial militar e desenvolve suas atividades enquanto agente de segurança com muita ética.
E sabem o que ele decidiu fazer para não jogar fora a sua conquista e a esperança de realizar mais um sonho no esporte¿ Vender seu carrinho porque vergonhosamente o Estado não se prontificou a ajudá-lo. E por aí temos muitos outros Wistefânios. Cadê os recursos das secretarias, cadê as assessorias que não sugerem aos seus secretários uma boa ação?
Só para aumentar o repúdio a tudo isso vamos lembrar quem é o atleta? WISTEFÂNIO coleciona nada mais nada menos que 65 títulos, alguns deles por nocaute. Tem três internacionais e também já deixou a marca registrada em campeonatos nacionais. Wistefânio Mota quer participar do Mundial no entanto, apesar de já ter feito as reservas de passagens aéreas e da hospedagem, ainda não conseguiu patrocínio para garantir sua participação.
Somente de passagens o militar gastará em torno de R$ 5 mil e a hospedagem, em albergue, tem valor diário de R$ 100. Ele deve permanecer na Irlanda por 10 dias já que o evento vai do dia 1º ao dia 10.
O registro, ou inscrição, o policial alagoano teria de fazer até amanhã e não sabemos se deu e custa R$ 408,00. Os amigos estão vendendo camisetas que ele ganhou ao valor de R$ 30 para ajudá-lo. Porque a incompetência e a inoperância dos órgãos públicos exigem.
Uma sugestão: vamos montar um stand em frente ao palácio com faixas e cartazes pedindo ajuda à população e explicando o motivo. Ah, Wistefânio, não esqueça de levar a cuia, porque é a isso que o Governo do Estado submete seus atletas.
Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO".
Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.









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