(Foto: Arquivo Gazetaweb)
Não, não é tomar o caso para mim. Não costumo adotar problemas coletivos como particulares, pessoais. Mas, não é possível admitirmos, quando verificamos in loco o contrário, que se afirme está o Hospital Geral do Estado um verdadeiro “CÉU”. Se começarmos a absorver essa propaganda enganosa, daqui a pouco estaremos achando graça do cenário caótico de pessoas pobres superlotando corredores e até a área vermelha , de ocorrências graves.
Está faltando medicamentos, há mais de 50 pessoas na ala de emergência. Isso é mais antigo que Matusalém. As teclas são as mesmas, a irresponsabilidade do governo do Estado também. Ficamos a par de uma consultoria que vem aí, onde serão investidos R$ 15 milhões para se avaliar a Saúde quando todos temos total convicção de que até a coitada está na UTI e com vaga no SVO.
Pelo amor de Deus, não podemos dizer que no HGE nada presta, mas também não sejamos tão inocentes e advogados da direção para garantir que a denúncia de funcionários feitas nessa quarta-feira, com detalhes, é infundada. A imprensa existe para relatar fatos, intermediar soluções para os problemas da sociedade e pronto. É nosso dever averiguar, mostrar. Ouçamos os dois lados, assim foi feito. Mas, que a maior unidade de emergência do Estado continua a desejar, é verdade e sério.
Experiência própria, por lá, já tive e várias vezes. Minha mãe quase morre. À época, lembro, o antibiótico que tomava acabou e não tinha como continuar o tratamento. O aparelho de tomografia estava quebrado. Fizeram convênio com o Arthur Ramos para que o exame fosse feito lá, mas não tinha ambulância para levar. E quem me socorreu nesse sentido foi a Polícia Militar, por meio de um pedido do coronel Marinho, que conseguiu uma para levar minha mãe.
E por que então vou duvidar da denúncia de enfermeiros e outros servidores que desabafam? Eles estão se sentindo inúteis, querem salvar vidas e não podem. Já houve momento em que o paciente sobreviveu à intervenção cirúrgica, mas morreu porque não havia medicamento para estancar a hemorragia. E aí?
Sinceramente, não dá para dizer que o inferno é o céu. Que a direção se defenda, concordamos, é um direito. Aliás, ela também é vítima do sistema. Agora não vamos justificar que a falta de medicamentos é inexistente e que, de fato, no momento o que há é um controle na farmácia. Se controlar medicamentos é deixar de fornecer para quem precisa, a situação piora, aí já é crime.
Enfim, sejamos sensatos. Embora não acredite que tenhamos uma reversão. Não do jeito que a coisa persiste e de como é administrada por esse Governo.
Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO".
Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.









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