Blog da Dulce Melo

Este é um espaço onde Dulce Melo aborda todas as suas críticas ao que enxerga de errado no sistema.

domingo, 1 de dezembro de 2013

A população começou a fazer 'justiça' com as próprias mãos, isso é grave.

(Foto: cortesia)

A criminalidade é explícita e não há como escondê-la por mais que se tente. Os registros são diários e as formas como acontecem as ações criminosas são bastante diferenciadas. Conformismo com a situação da violência em Alagoas, a sociedade recusa e o perigo aumenta. Vai acontecer 'bagaceira' por aqui e isso não é nenhuma profecia.

Há tempo que nos deparamos com pessoas suspeitas ou acusadas de algum tipo de delito sendo espancadas e algumas até a morte. O cidadão da foto - de nome não divulgado - foi amarrado na manhã deste domingo (1º), por trás do Hiper Bompreço e espancado. O crime? Teria arrombado um veículo. Marcelo da Silva Santos, de 17 anos, foi espancado pela população em setembro, no conjunto Cidade Sorriso, no Benedito Bentes, em Maceió, após ser acusado de estuprar um bebê de nove meses que era filho de sua companheira. Ele não resistiu e morreu no local. Na Jatiúca, dois homens quase morreram vítima de espancamento após assaltarem um policial e a esposa grávida.

No dia 18 de novembro passado, mais um caso foi registrado e novamente com um suspeito de estupro. José Marinaldo da Silva, de 33 anos, foi morto na Levada. Da mesma forma Rosenildo Fausto da Silva, de 34 anos, foi brutalmente espancando depois de ser acusado de estuprar a própria filha. O crime ocorreu próximo ao HGE para onde ele foi levado, mas não resistiu.

Outro homem apontado por populares de ser o responsável por furtos de equipamentos de táxis, mesmo sem ter sido pego com nenhum produto, quase foi assassinado por populares, também na Levada, e salvo por policiais do Bope que passavam no local. E muitos e muitos outros casos. Quem comete o crime deve pagar por ele, obviamente. A lei diz isso. Mas, o que focamos aqui não é o tipo do crime e sim a impaciência da população. Parece que não tem mais como se conter e quer resolver do jeito que pode.

A respeito da violência não vamos aqui concordar com o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, e adianto logo que não tenho nada contra o mesmo, mas achei seu comentário infeliz quando disse que 'Alagoano tem cultura de resolver agressões com vingança” após a seguinte pergunta da jornalista Regina Carvalho, do Gazetaweb: “Na sua avaliação, porque Alagoas aparece sempre no topo da lista quando se fala em assassinatos? Porque se mata tanto em Alagoas”?

Casos de vingança existem sim, mas também não é uma justificativa para essa violência galopante e incessável. O povo não quer esperar mais, isso sim. As pessoas estão nas ruas e assustadas, aterrorizadas. Já não se sente mais segurança na igreja, no posto de saúde, na escola, no ponto de ônibus, no supermercado, NA PORTA DE CASA. As medidas não estão surtindo efeito e deve haver alguma falha no sistema, vamos concordar e aceitar a triste realidade. Falhar é dos humanos e ser humilde, reconhecer os erros é dos fortes.

E para não pensarem por aí que eu ando perseguindo as autoridades da segurança pública, deixo aqui também o posicionamento do advogado Pedro Montenegro, postado em rede social . Disse ele: Quer dizer que as absurdas taxas de homicídios registradas em Alagoas, as maiores do Brasil e uma das maiores do mundo, se explica, segundo as lições da sociologia e antropologia do Chefe da Polícia Civil de Alagoas: “pela cultura do alagoano de resolver agressões com vingança”. Simples assim? Tão simples como atribuir os presentes natalinos ao Papai Noel.

Fechei.

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Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO". Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.

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