Blog da Dulce Melo

Este é um espaço onde Dulce Melo aborda todas as suas críticas ao que enxerga de errado no sistema.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Exame de balística sem munição, nem na China!

Cômico? Talvez seja esta a palavra adequada à situação do setor de balística do Instituto de Criminalística (IC), em Maceió. Gente, não dá para imaginar um maestro sem a batuta, o pedreiro sem marreta, um mecânico sem a maleta das ferramentas, um jogador sem bola, um vaqueiro sem cavalo, um professor sem sala de aula e assim sucessivamente. Essa é alógica, certo?


Porém, em Alagoas, e somente aqui ao que parece, existe um pensamento diferenciado quanto às necessidades das pessoas. O que se sabe muito é cobrar, pressionar, querer que os resultados apareçam sem oferecer condições suficientes. Que o Estado continua recordista nacional em criminalidade, é fato, fato, fato. Por essa razão, há acúmulo de armas a serem vistoriadas e o tempo corre.

Que o auxílio dos peritos da Força Nacional aos peritos locais para agilizar os exames de balística é importante, também. Ninguém tem dúvida disso.


Mas, como é possível idealizarmos exames de BALÍSTICA sem munições? Vão os peritos atirar com o pensamento? Não é pra rir. Pois bem, no IC não chegou material para que eles desenvolvam as atividades. E não adianta querer tamponar o sol com a peneira. O que chega por lá é em forma de paliativo e, inclusive, já foram feitos alguns empréstimos à Polícia Militar. Só que o adquirido não tem atendido à demanda. Ressalto: isso não ocorreu agora e sim bem antes. Não há reposição a mais de mês.


Agora pergunto: para que trazer quatro peritos da FN para cá se não têm como produzir? Tive oportunidade de conhecê-los. Duas gaúchas, um pernambucano e um do Tocantins. São pelo que pude observar de um grande conhecimento de causa. Como os nossos peritos também. Ouvi muito bem quando o pernambucano João César, em entrevista a uma rádio, afirmou que a carência não está no recurso humano e que “aqui em Alagoas, a perícia é bastante qualificada”. Boa, João, também achamos.


O que está faltando para que a coisa ande? Só pode ser vontade dos gestores. O órgão não passou a ter autonomia? Não tem dinheiro na conta? E por que não é comprado o material? Não se pode fazer isso em caráter emergencial? Fizeram o maior barulho assegurando que o reforço resolveria a questão. Não se assanha se depois não tem como pentear. O que não se admite é o faz de conta. As equipes estão aí – a nossa e a que veio de fora. Os profissionais são bons, especialistas e querem trabalhar. Resta saber se vão deixar que realmente eles cumpram com a incumbência recebida pela Secretaria Nacional de Justiça.

Bom, daqui a pouco até os bandidos se sensibilizam e fazem doação. Afinal, pelo demonstrado, eles têm munição suficiente para TRABALHAR todos os dias.
Hilariante!

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Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO". Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.

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