Foram semanas de ensaios e tudo o que queriam era passar pela avenida com todo o patriotismo e receber aplausos. Eles tinham levado tudo o que aprenderam de melhor. Os gritos inocentes de guerra pela consciência adquirida com os ensinamentos estavam na ponta da língua, mas suas bocas foram caladas pela falta de respeito de quem resolveu esvaziar o palanque antes da hora sem se importar com as cinco horas que as mais de 600 crianças ficaram sob o sol.
Eram 520 crianças - somente do Proerd- de todas as idades levadas pela tenente-coronel Valdenize a quem neste momento sou solidária. Ainda nos preparativos para o desfile, por volta das 8h, entrevistei-a ao vivo para a Rádio Gazeta. A empolgação era enorme e ali estavam as pessoas envolvidas num projeto – militares e sociedade civil - que é tão utilizado para promover a Polícia Militar e também o Governo do Estado. Um projeto importante. As crianças levadas para o desfile em comemoração ao Dia da Independência eram a representação dos multiplicadores no
combate às drogas. Juntamente, também foram para lá idosos que abraçaram a causa e que desfilariam pela primeira vez, orgulhosamente.E nem saíram do lugar.
Crianças da Proerd à esquerda; Escoteiros Florestais à direita. (Foto: site Secretaria de Estado da Defesa Social / Escoteiros Florestais do Brasil - Facebook)
Como de costume, os escoteiros florestais que sempre abrilhantam a festa foram também humilhados. Com os rostinhos cansados, meninos e meninas já rosados por conta da temperatura, passaram em frente a arquibancadas vazias sob palmas, apenas, dos familiares que os esperavam. E não venham colocar a culpa nos movimentos sociais ou nas representações sindicais. O que ocorreu nesse sábado foi VERGONHOSO.
Claro que para as autoridades o desfile já bastava. As motocicletas Harley Davidson da Força Nacional – que jamais serão vistas no Village Campestre ou no conjunto Virgem dos Pobres e foram trazidas para cá exclusivamente para exibicionismo durante as passagens da secretária nacional de segurança pública, Regina Miki – bem como os helicópteros cujos gastos estupendos com eles já foram revelados, já haviam sido apresentados.
O que se esperava no 7 de Setembro era ALEGRIA e não PALHAÇADA.
Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO".
Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.









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