Blog da Dulce Melo

Este é um espaço onde Dulce Melo aborda todas as suas críticas ao que enxerga de errado no sistema.

domingo, 15 de setembro de 2013

A polícia tem que ir às ruas, de farda, e gritar!

(Sargento Roberto Barbosa Foto: Arquivo Facebook)

Impostos pagos, deveres cumpridos e direitos totalmente desrespeitados. Sacanagem pura, sistema podre, corrupto e sem rumo. Desgraça, sangue, Alagoas não aguenta mais ser tratada como terra de palhaços onde se montou um picadeiro para todos nós. Seja imprensa, servidores públicos ou sociedade civil organizada. Quais são as perspectivas?

A polícia tinha que ir às ruas sim. E fardada. Para mostrar que não há segurança pra ninguém. Devia dar gritos de guerra, devia desabafar sem medo de transferências para Pariconha, Água Branca ou pra casa do chapéu. Porque as autoridades só vão se intimidar quando eles em seus protestos se assumirem militares e não marcharem como civis.

E vamos generalizar e bater na mesma tecla também. Senhor governador, o que tem a dizer para nós? O que a sociedade civil pode esperar?

Um dia quem sabe ainda registre essa imagem.



Estive no velório do amigo Barbosa. Muitos colegas de farda, de soldado a coronel marcaram presença. O desespero dos familiares comovia, mas não deu para engolir o choro ao me aproximar do caixão e observá-lo. Parecia que estava dormindo, sorrindo como sempre fazia.

No entanto, algo mais do que especial me chamou a atenção. O semblante de dor naquela criança de 12 anos, o filho mais velho de Barbosa que era amparado pela mãe, por tios e primos sem conter as lágrimas. Olhava rapidamente para o caixão e se distanciava, parecia não querer ver o pai ali, daquele jeito e preferia guardar outras lembranças. É uma imagem difícil de ver e aceitar. Ficaram três órfãos de 12, 10 e quatro anos. O último dormia no carro após deixar uma festinha de aniversário com nosso amigo quando ocorreu a tragédia.

Ou,amigo Barbosa, porque não foi para casa?

Soube por uma vizinha do amigo Barbosa, uma senhora que estava aos prantos, que ele organizava a festa do caçula que completará cinco anos na próxima semana. O pai morreu e ele ainda não sabe. Foi levado dormindo para casa e lhe deram outra justificativa para a ausência dele.

Não quero aqui fazer apologia ao crime, mas não tem prisão no mundo que alivie essa dor. Que não faça os três meninos órfãos sentirem a ausência do pai. Que podia ter qualquer defeito porque era humano, mas em relação a eles não. Era apaixonado.

E qual será a pena para os criminosos? Soube lá mesmo no velório que os assassinos do amigo sargento Borges, o Borjão, morto covardemente durante assalto a um micro-ônibus já estão soltos. E é? Pois bem, como podemos acreditar que a justiça é, de fato, feita?

Uma grande observação. Não vi no velório do amigo Barbosa ninguém dos Direitos Humanos, tampouco nos outros dos amigos que também se foram. Se não vão dar apoio a familiares de policiais porque essa é uma situação séria e delicada – estão perdendo policiais para a bandidagem – quem pode esperar por eles na hora do sufoco e da dor?

Vivemos numa terra sem dono e nos contos de Alice.

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Blog da Dulce Melo

Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO". Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.

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