Blog da Dulce Melo

Este é um espaço onde Dulce Melo aborda todas as suas críticas ao que enxerga de errado no sistema.

domingo, 17 de novembro de 2013

“E eu quero mais é ver o sangue escorrendo”...

Lá em Joaquim Gomes, no conhecido bairro da Casal, há uma mãe que pode ter perdido na tarde deste domingo (17) toda a vontade de viver. Seus três filhos foram executados dentro de casa, além de um amigo de 60 anos que visitava a família. Não há uma imagem do imóvel, mas é possível se criar um cenário imaginário da tragédia pela narração da polícia.

Há 11 anos trabalho como jornalista e nunca escondi de ninguém minha tara pela área policial. No entanto não sou medíocre ao ponto de torcer por homicídios e outros tipos de tragédias somente para ter elementos que possam render uma matéria. Nesse caso, a primeira reação foi de pensar exclusivamente na mãe. A mulher que passou 27 meses com eles no ventre e que perdeu em segundos.

Diante de uma tragédia ouvir de um colega de profissão a frase “e eu quero mais é ver o sangue escorrendo” estremece e me leva a uma análise: até que ponto podemos nos considerar humanos? Nós, jornalistas sentimos prazer em registrar jovens com as cabeças espatifadas, mães e pais sobre corpos chorando os seus filhos, esposas gritando pelos maridos, filhos chorando seus pais? Podem ter certeza, eu Dulce Melo, não. Os registros são feitos, mas é preciso que se enxergue todo o contexto. Famílias inteiras estão morrendo porque a violência extrapolou e porque lá atrás a criminalidade achou alguma brecha e os conquistou.

Para que não seja confundido o meu posicionamento não defendo aqui quem envereda por caminhos do crime, não é isso. Mas é lamentável uma frieza dessa grandeza quando se tem três jovens assassinados, repito, diante da mãe. Lembremo-nos de um caso similar ocorrido no Bom Parto, em 13 de novembro de 2008. Marcelo Assunção, Marcelino Assunção, Márcio Assunção e Magno José Assunção eram envolvidos com o tráfico de drogas na região, sim, eram “malas”, termo usado para definir quem transgrede a lei, e sabemos muito bem que o fim de quem se envolve com coisas ilícitas não pode ser diferente. A mãe deles não resistiu e também morreu na mesma noite. O coração não suportou. E lógico que ela tinha consciência de que poderiam terminar daquela forma. Soubemos que incansavelmente os aconselhava, sem êxito. Mas, era mãe e apostou até o fim que pudessem mudar.

Logo não consigo absorver a frase do colega, ela não cabe, a meu ver, em nenhuma circunstância. Deve ser meu espírito maternal aflorado. Mas, é o que penso.

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Blog da Dulce Melo

Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO". Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.

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