O que é, de fato, comandar? No dicionário da Língua Portuguesa está bem claro é: “decidir, em razão de autoridade, o que outrem deve fazer.Ter autoridade sobre: comandar um pelotão. Ordenar, mandar”. Era para ser assim em qualquer lugar, segmento. As pessoas comandadas, obviamente, devem ter consciência dos seus deveres e das normas impostas pelo sistema, ao tempo que devem ter também seus direitos garantidos e um deles é o respeito pelo comandante. Que não é melhor do que ninguém, apenas exerce tal função em consequência das oportunidades criadas pela vida.
Na internet encontrei uma pergunta e depois uma resposta que me apeteceu. Um cidadão, identificado como Vitor M, pela postura, avalio como comandante militar, jogou a seguinte indagação para provocar a reação de internautas:
“Administração x Comando : Porque os "Subordinados" nunca fazem o que mandamos ?” E outro militar respondeu:
“Porque talvez você não lhes passe confiança, respeito, sobriedade, etc, para comandar não basta ordenar mas tem que ter o respeito de seus subordinados, e respeito não se impõe, adquiri-se com naturalidade, não é impondo ordens e tentando mostrar quem é que manda que conseguirá ser respeitado como chefe, tem que ser natural, a relação de comandados e quem comanda deve ser o mais saudável possível, não tente se impor, mas, deixar claro as divisões de funções, alguém tem que mandar e alguém tem que fazer, mas esta relação para por aí. A forma de mandar é que determina o sucesso ou não daquilo que foi proposto, às vezes uma pequena frase de incentivo muda tudo, as pessoas sentem-se mais valorizadas, e rendem mais!!”
O exemplo é proposital porque o texto é direcionado a alguns coronéis, tenentes-coronéis e majores que ocupam cargo de comando e não conseguem perceber ao longo dos anos na Polícia Militar que soldado, cabo, sargento, subtenente e oficiais inferiores ou intermediários são GENTE.Que eles falam, andam naturalmente sem precisar de pilhas ou baterias porque não são robôs. Que eles sentem e, como cidadãos, têm de ter obrigatoriamente a cidadania preservada. Mas, nem sempre isso acontece. Alguns simplesmente esquecem que sem os subordinados, jamais EXISTIRIAM.
A hierarquia deve ser seguida, sim, não defendo aqui que seja rasgada. Tenho também exemplos de praças que sem o menor respeito a transgridem. Presenciei, por exemplo, uma reunião entre oficiais que tratavam de assunto sério e inadiável quando um praça da reserva abriu a porta, se infiltrou e, exaltado, já fez análises e começou a emitir opiniões sem sequer ser anunciado. Não que praça não possa participar, que fique bem entendido. É um comparativo entre as duas situações. Naquele momento, esperei que pelo menos fosse convidado a se retirar, mas os oficiais preferiram relevar. Tiro o chapéu para o grupo. Bom saber que não pertencem ao grupo dos dinossauros.
Dos dinossauros, sim, porque há comandantes que têm prazer em destratar os comandados como se isso lhes massageasse o ego e lhes desse realmente a convicção de que : “quem manda sou eu”. Poderia aqui citar alguns bons exemplos de comandantes aos quais faço questão de parabenizar sempre que encontro porque por onde passam os conceitos positivos são mantidos ou fortalecidos, mas também elencar outros que já atingiram rejeição em cem por cento e, o pior, conseguiram fazer seguidores. Mas, perderam o principal, o respeito da tropa e são vistos como maus.
Século XXI e até o Exército mudou algumas regras. Mas, na Polícia Militar há ainda quem se ache soberano. Quem não nasceu com a menor vocação para comandar. Porque comandar não é humilhar, submeter policiais a constrangimentos. Deve-se respeitar sempre e punir se for necessário quando houver realmente a comprovação de que o subordinado cometeu algum ato que não condiz com a postura profissional, mas não para o comandante se sentir bem e autoridade máxima. Isso não significa dizer que os militares podem tudo e conheço também alguns rebeldes que “chutam o balde” e não são compromissados. Não significa que apenas eles devem ser respeitados, o tratamento respeitoso deve ser mútuo. Cada um consciente dos seus limites, mas sem esquecer o básico: direitos e deveres.
Antes de tomar a iniciativa de escrever esse texto conversei com o comandante-geral a respeito e quis saber sua opinião sobre tais posturas dentro da briosa corporação. Eis o que ele me disse ao tratar o assunto: “ “tem gente que não quer evoluir para o melhor e parece escorpião. Assédio moral é crime e as pessoas têm que ser respeitadas, independente de sexo ou raça. Se chegar ao meu conhecimento tais crimes, os responsáveis arcarão com as consequências. Respeito em primeiro lugar, devemos respeitar para ser respeitados. Agiremos dentro da lei e buscaremos a Justiça ou, senão, dependendo da agressão revidaremos da mesma forma com a devida proporcionalidade. Hoje não há espaço para imbecis, para quem pensa que está acima do outro e comete um erro crasso, o da ignorância. E contra ignorante há um remédio, processo. Para na justiça aprender o que lhe foi ensinado. Principio bíblico: respeitar seu semelhante”. É uma verdade,comandante.
Porém continuo acreditando que seria bom um curso para qualificar alguns comandantes de Batalhões e Companhias (com exceções à regra) na tentativa de torná-los mais humanitários.
E com uma certa urgência.
Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO".
Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.









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