O coronel Pinheiro estava de saco cheio e o pavio encurtou. Baixinho, cara de homem interiorano , mas sabia que não iria se submeter ao ridículo assumindo uma tropa sem poder tomar decisões por ela e para ela, bem como sofrer ingerência política. Não, o coronel Marcus Pinheiro não tem cara de marionete, pau mandado, puxa-saco de secretários ou governos como tantos. Ele tem muita é coragem e demonstrou isso quando resolveu fazerem enxergar que o comando era dele, ou era ou não era, e preferiu defender a tropa enfrentando
E o que aconteceu? Mexeu o comandante com o brio justamente do Judiciário. Os juízes se sentiram desapontados e pediram sua cabeça. Engana-se quem imagine que o comandante saiu derrotado. Fiquei até o final no Quartel do Comando Geral (QCG), lugar que ainda abriga um pequeno ninho de cobras venenosas, e me certifiquei mais ainda da sua credibilidade junto à tropa. Oficiais e praças não se despediram do comandante, eles se declararam explicitamente sem o menor constrangimento e na frente de civis.
Brincava com ele sempre que conversávamos e ele sorria. É que costuma aconselhar o coronel Pinheiro a andar com antídoto para se curar das picadas das “cobras”. Mas, sem malícia ele preferia acreditar que as pessoas, como ele, eram todas do bem. A tropa está revoltada na capital e no interior não é diferente.
O caldeirão, ou Quartel Geral, ainda deve ferver até segunda-feira. As associações militares se articulam para ver que decisão vão tomar, no entanto por unanimidade afirmam que “a exoneração do comandante-geral foi sem sombra de dúvidas ingerência política”.
E o governador não resistiu ao “ou ele ou eu” do secretário de Defesa Social, Diógenes Tenório.
Quanto ao coronel Vinicius, nada contra. Inclusive ele mesmo teria dito inicialmente que não aceitaria o cargo. Mas, mudou de ideia após a reunião no palácio de vidro e aguardamos suas primeiras decisões na segunda-feira. Até lá estão sem comando o CPC, o Bope, a Radiopatrulha, o Batalhão de Guarda, o 1º Batalhão e a Copes.
Ah...mas, só são dois meses. E muitas caras risonhas de hoje, estarão sisudas. Vi na minha bola de cristal.
Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO".
Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.









Parabéns! verdade pura! sabemos quem é quem na PM.
ResponderExcluirSem sombra de dúvidas algo inédito na história da polícia militar alagoana essa atitude do Coronel. Uma verdadeira quebra de paradigmas. Vai servir de exemplo para a posteridade.
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