Saramandaia passa longe do Palácio República dos Palmares, mas a imagem de Odorico Paraguaçu não pode fugir à nossa mente ao escutarmos as declarações do chefe do Executivo que conclui o mandato. Teotonio Vilela Filho afirmar “nunca teve em Alagoas um governo que fizesse tanto como o meu” quase nos emudece numa coletiva. Pelo menos por alguns minutos.
Com um jeito que lhe é peculiar de fugir às responsabilidades, Teo encontrou um “bode expiatório “ para todas as mazelas que indagamos. A violência, por exemplo, segundo o governador se agravou “quando Fernandinho Beira-Mar veio para cá e introduziu o crack no estado e criou facções”. Como assim? Não governador, o crack foi trazido para Alagoas por Osvaldo Coroa e Beira-Mar só viu o mar quando sobrevoou na vinda e na volta. O tempo por aqui foi para tramar a fuga.
Inconformada, perguntei a Vilela: governador, o senhor acaba de afirmar que a vinda de Beira Mar é a responsável pela violência em Alagoas. O senhor trouxe para cá o Plano Brasil Mais Seguro com muita verba do governo federal e que seria copiado para todo Brasil, mas, ele nasceu e morreu aqui. O senhor passou oito anos no palácio e deixa o governo sem nos tirar do primeiro lugar no ranking da violência e também da pior educação do país, não acha que isso é falta de políticas públicas no seu governo¿ Se o senhor tivesse proporcionado aos jovens carentes moradia digna, educação, assistência à saúde, oportunidade de emprego não teríamos um quadro diferente?
Pasmem com a resposta: “concordo com você, realmente faltaram políticas públicas, mas a Lei de Responsabilidade Fiscal não permitiu que fizesse mais do que o que fiz. Quanto ao plano, deu certo, o meu governo foi o que mais investiu na polícia, antigamente os policiais para vocês terem uma ideia andavam com revólveres velhos e eu permiti que cada um tenha uma pistola ponto quarenta e assim possa enfrentar o bandido de igual para igual. Já na Educação fui o governador que mais construiu escolas, oitenta e quatro”.
Devo lembrar a Vilela: não governador, as pistolas foram com recursos federais. Vieram de lá e acredito que no início do seu primeiro mandato já havia muitos policiais portando pistolas. Esqueceu das mobilizações contra sua falta de compromisso com os agentes da segurança pública e também do escândalo com as reformas e construção de escolas sem licitação, as greves dos servidores, passeatas pelas ruas da capital e interior. E aí lá vem ele falando que até sexta-feira irá inaugurar muitos prédios, entregar muitas obras. Lembrei-me de uma categoria que recebe também muita cobrança da sociedade e nunca teve aparato no seu governo. E mais uma vez o questionei.
Governador o senhor acaba de enfatizar a entrega de várias obras, mas há uma categoria altamente insatisfeita com o senhor, a Perícia Oficial. O senhor fez uma coletiva para apresentar o projeto mirabolante do complexo para ela e propagou, mas nada saiu do papel até agora. Como paliativo foi iniciada a obra do Laboratório Forense, mas a construtora parou as atividades, segundo ela, por falta de pagamento. Lá tem equipamentos doados pelo governo federal no valor de mais de três milhões. No seu governo os peritos nunca tiveram uma cadeira no Conseg mesmo sendo peças importantes na segurança convocou os concursados e isso atrapalha tudo. O senhor não acha a perícia importante?
E lá vem ele.”Todos os acordos feitos com os peritos foram cumpridos e o único problema hoje é o prédio do IML”. Isso porque a categoria deu plantão das nove até às treze horas de ontem esperando ser recebida por Álvaro Machado. Com a palavra, os peritos.
No mais, Teotonio que era para falar de transição terminou fazendo a todo instante campanha eleitoral para o tucano Aécio Neves. Nada mais foi possível fazer em sua gestão “porque os recursos do governo federal estão todos sendo mandados para Cuba; nós precisamos mudar o quadro porque o governo federal atual deixa muito a desejar e não ajudou o estado”.
Pensei: só está faltando aqui o Tiririca.
Ou seja, Teotonio Vilela deixa o governo reafirmando que “Nunca se fez tanto por Alagoas”. Mas, na minha concepção o pior de tudo foi a deixa de que pode ser ministro de Aécio Neves.
Pensa Alagoas.
Na foto: lá estou eu, em pé, pertinho do gove.
Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO".
Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.









0 opiniões:
Postar um comentário