Confesso que em todos os anos de profissão foi um dos casos mais chocantes que registrei. Era do portal Gazetaweb e demos a notícia em primeira mão, acompanhamos passo a passo, atentamente, e íamos refazendo o texto à medida que os policiais do 5º Batalhão nos davam novas informações.
Em 2009 as meninas Jaciara do Nascimento e Cassandra da Silva, prima irmãs, de sete e cinco anos respectivamente, foram levadas por José Roberto de Oliveira – que era muito próximo da família - para dar uma voltinha de bicicleta sob a confiança do pai Josivan Nascimento Santos. Entre esperança, buscas e desilusão foram muitos os capítulos.
Corpos sendo removidos(Foto: Dulce Melo)
Mantive muitos contatos com os familiares e lembro perfeitamente que um tio das meninas tomara a frente do caso. No dia em que as crianças foram encontradas mortas numa vala de uma construção por trás de um motel no Santa Lúcia, com requintes de crueldade, havia conversado com o tio delas que muito animado falou: “Dulce, graças a Deus uma luz no fim do túnel, o sujeito disse que vendeu as meninas a um casal estrangeiro e a Federal entrará no caso, mas, não escreva nada ainda, a respeito, para não atrapalhar”. Até eu fiquei emocionada, porque repórter também sente, é humano.
Naquele momento, as investigações foram remanejadas para a Delegacia de Investigação e Capturas (Deic). Com a qual, à época, tinha uma maravilhosa relação. E foi de lá, pouco tempo após falar com o tio de Jaciara e Cassandra, que recebi a triste notícia. Um amigo policial civil emocionado, com a voz trôpega, disse: “amiga que horrível, encontramos as menininhas mortas”. Choque total. Imediatamente liguei para os familiares com o intuito de ouvi-los a respeito da trágica novidade sobre o caso. Eles ainda não haviam sido informados e escutei o grito longo: “nãooooooooooo, meu Deus, diga que é mentira”, era o tio.
Fiz uma chamadinha e corri para o local. Lá encontrei uma população revoltada querendo matar o assassino. Estavam elas em estado de putrefação, a pele se abrindo, uma com a roupinha abaixada e outra totalmente nua. Ambas estupradas e estranguladas.
Mãe desmaia ao chegar ao local
A cena da mãe vocês podem comprovar por meio da foto que fiz. Encontrei por lá, também, policiais chorando como se tivessem perdido uma guerra. Discretamente. Até porque têm de manter a postura profissional como o jornalista também tem obrigação. Mas, foi horrível.
Ontem o monstro porque o enxergarei assim para sempre, o tal José Roberto de Oliveira, foi julgado quatro anos após e condenado a 79 anos de prisão. O que para mim ainda é pouco. Nossa lei é branda demais, vem a redução para 30 anos, mais redução por bom comportamento e daqui a pouco estará na rua.
Presas para sempre ficaram as menininhas Jaciara e Cassandra e seus pais e demais familiares às suas doces lembranças. O julgamento ocorreu nessa sexta-feira (25) na Faculdade Maurício de Nassau, na Ponta Verde, em regime de mutirão. O juiz Diego Araújo Dantas foi o responsável e o promotor foi José Antônio Malta Marques. José Roberto foi acusado de duplo homicídio qualificado e duplo estupro .
Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO".
Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.










Querida e brilhante Jornalista, que bela discrição desse fato monstruoso. Ave Maria Santíssima! Deus é mais! Pena de morte num futuro próximo na forma da Lei, é o jeito! Querida Dulce!, do jeito que der, da forma que for, lança sua "LUZ" no caso dos policiais da banda-podre da PC que buscam na JUSTIÇA o benefício do "habeas corpos" na certeza da IMPUNIDADE. Aliás, o corporativismo da PC está sob os HOLOFOTES! Dia 30 de outubro vai ser julgado o HC do nojento do Carlos Welber Freire Cardoso "Porradão" e o advogado dele é o Welton Roberto (Advogado do Diabo); mas até o "Sr. Diabo", como diz na literatura, é contra a monstruosidade que essa gente ruim fez!
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