Blog da Dulce Melo

Este é um espaço onde Dulce Melo aborda todas as suas críticas ao que enxerga de errado no sistema.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Alô, polícia! Quem é o próximo "Ivaldo" da lista?


A crueldade com a qual foi executado em praça pública o soldado Ivaldo Silva, do 6º Batalhão, na madrugada desta segunda-feira (09), em Porto de Pedras, Litoral Norte de Alagoas, tem de incomodar e provocar uma reação das autoridades. Claro, a sociedade também quer ouvir explicações. O Governo do Estado vai se pronunciar? A afronta, dessa vez, extrapolou todos os limites. Arrancaram o policial da base militar e o mataram com mais de vinte tiros. Numa péssima comparação, deixaram o corpo de Ivaldo parecendo um ralo de tantos buracos.

MEU DEUS! O que é isso? Os bandidos dominaram Alagoas?

As associações militares que representam a categoria têm de reagir, é o que se espera. Por que, senão, o cidadão comum vai entender que até a polícia está achando a criminalidade comum. E então o que será dela? Estão matando sem o menor receio os policiais, em assaltos quase sempre. Hoje Alagoas está para lá de chocada e os militares estão se organizando. A ira é tanta que direta ou indiretamente pensam em revide e garantem resposta à altura.

E quem arrisca a ser contra esse posicionamento sem analisar a dor de quem perdeu um amigo, um homem honrado, de bons serviços prestados? È isso que ouvimos falar do soldado que veio de uma família humilde de Pernambuco tentar garantir a sobrevivência em nosso estado. Mas, não permitiram por muito tempo. E ele entrou na Polícia Militar justamente na gestão tucana, soldado 2006. Deve ter tentado combater a violência, mas não conseguiu e foi vítima do próprio sistema podre e medíocre que ele como tantos outros militares acreditam que AINDA possa mudar.

O psicólogo social Adalberto Botarelli avalia que “se as pessoas agirem apenas em função do medo, se 
retraírem simplesmente, elas não vão conseguir operar bem, não vão conseguir enfrentar a violência. Só vão replicar e aumentar o processo, vão reproduzi-lo.” Alguém pode sugerir uma reação para tudo isso? O que Botarelli quis dizer é que se deve partir para o enfrentamento? A sociedade pode cobrar seus direitos, sim. Pode ir à ruas, acampar em frente ao palácio do Governo, cobrar respostas da OAB, da Justiça, das autoridades envolvidas diretamente ou que fazem simplesmente parte do processo da segurança pública.

Estarrecida desde cedo com mais uma barbárie e não somente porque foi um policial, mas na minha concepção se agravando mais ainda por ser a vítima um militar, converso com o consultor em segurança pública, Pedro Montenegro. Alarmada iniciei o diálogo, via rede social, falando sobre a violência desenfreada. Pedro, uma execução dessa de um pm, em plena praça?
O governo está desmoralizadíssimo. E ele responde: “Segue o cortejo das mortes violentas. Governo onde? Não se desmoraliza o que não existe. São mortes evitáveis e previsíveis”.

E concluiu: “me espanta a letargia da sociedade”. Para quem desconhece o significado da palavra Pedro Montenegro quis afirmar que o povo está em sono profundo ou sem capacidade de assimilar o problema, que há desinteresse no sentido de reagir, tomar providências acertadas. A sociedade adormeceu juntamente com o Governo e não vai acordar para gritar ao seu ouvido? A voz da multidão, o eco. É hora de unir forças para ver se ao menos não somos chamados de frouxos ou imprestáveis.

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Blog da Dulce Melo

Dulce Melo é Pernambucana, de Garanhuns. Atua como jornalista há 11 anos e é fascinada por leitura, assim como pela arte de escrever. Ama desenvolver não somente textos jornalísticos, mas artigos, poemas. É autora do livro: ‘“Clécio, o Halley” em homenagem ao ex-jogador de futebol Clécio Henrique encontrado morto num hotel em Arapiraca. Além disso, é autora do livro de poemas "RAZÃO". Possui dois livros sendo terminados: ‘Mulheres: podemos tudo após os 40’ e ‘Entre sirenes e rabecões’.

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